Sete eleições, 2002 a 2026: quem venceu, onde cada partido foi mais votado e quanto o voto se concentra em cada município
A eleição de 4 de outubro de 2026 pintou o mapa de Mato Grosso do Sul de uma cor só. O PL foi o partido mais votado para deputado federal em 57 dos 79 municípios e para deputado estadual em 42; em 2022, o PSDB liderava em 62 e 52. Nesta página os mapas avançam eleição a eleição, de 2002 a 2026, para mostrar como essa troca aconteceu, e os gráficos medem quanto o voto se concentra em poucos candidatos em cada município.
Dois indicadores aparecem ao longo da página. A força do 1.º colocado é a parcela dos votos nominais do município obtida pelo candidato mais votado ali. O HHI (índice de Herfindahl-Hirschman) soma os quadrados das parcelas de todos os candidatos: vale perto de 0 quando os votos se dispersam entre muitos nomes e chega a 1 quando um só candidato leva tudo. Os dois dizem o mesmo de ângulos diferentes: quanto maiores, mais o município se parece com um reduto. Definições completas e fontes estão no fim da página.

PL elegeu três (Marcos Pollon, Mara Caseiro, Rodolfo Nogueira), Republicanos dois (Beto Pereira, Isa Jane), e PP (Dagoberto), PT (Camila Jara) e União Brasil (Rose Modesto) um cada. O PSDB, que elegeu três em 2022, não elegeu nenhum.
Camila Jara teve 154 mil votos, à frente de Pollon (140 mil) e Rose Modesto (124 mil). É a segunda maior votação para a Câmara em toda a série, atrás apenas de Zeca do PT em 2014 (161 mil). O desempenho individual não mudou a cor do mapa: o PT foi o partido mais votado em um único município, Tacuru.
Jaime Verruck (Republicanos, 49,6 mil) e Viviane Luiza (PSDB, 45,1 mil) foram os primeiros não eleitos. O oitavo eleito, Dagoberto, teve 56,2 mil votos.
PMDB (laranja) e PT (vermelho) dividiam o interior; o PT liderava em Corumbá, na fronteira oeste e no cone sul. Em 2010 o PR de Edson Giroto e o PSDB de Reinaldo Azambuja abriram manchas azuis no centro.
Com Rose Modesto, Beto Pereira e Geraldo Resende, o PSDB passou a liderar em 62 municípios nas duas eleições. O PT sobreviveu em Corumbá e em poucos pontos do sul.
PL em 57 municípios, Republicanos em 13, PP em 5. Sobraram Corumbá para o PSDB, Caracol e Jateí para o União Brasil e Tacuru para o PT. É a maior troca de cor entre duas eleições em toda a série.

O HHI médio caiu sem parar de 0,178 em 2010 para 0,102 em 2022 e subiu para 0,121 em 2026. A força média do 1.º colocado foi de 22% para 23%. A fragmentação do voto, que parecia uma tendência, deu um passo atrás.
Mara Caseiro teve 50,7% dos votos nominais em Eldorado, 44,9% em Coronel Sapucaia e 44,0% em Alcinópolis; Rodolfo Nogueira, 39,3% em Sete Quedas. No outro extremo, em Nova Alvorada do Sul o 1.º colocado teve 10,4%.
Em Campo Grande, 119 candidatos dividiram os votos; a mais votada, Rose Modesto, ficou com 15,3%, e o HHI foi de 0,076, um dos mais baixos do Estado.

O PT elegeu deputados em todas as sete eleições, de três em 2002 a um em 2018 e 2026. O PMDB/MDB, com dois ou três eleitos até 2014, não elege ninguém desde 2018. O PSDB elegeu dois em 2018 e três em 2022, e zero em 2026, quando PL e Republicanos somaram cinco das oito vagas.

Cada painel mostra a parcela dos votos do candidato que veio de cada município. Camila Jara, Pollon, Rose Modesto e Beto Pereira têm votação majoritariamente campo-grandense; Isa Jane tem base em Dourados e no sul; Mara Caseiro, no cone sul e na fronteira; Dagoberto, espalhada pelo interior.

PL 9, PT 4, PP 3, PSDB 3, Republicanos 2, Avante 1, MDB 1 e União Brasil 1. Em 2022 o PSDB tinha a maior bancada, com 7; o PL tinha 2.
Com 54.080 votos, o deputado do PL foi o mais votado, seguido de Paulo Corrêa (44.541), Pedro Caravina (43.845), Zeca do PT (42.714) e Coronel David (41.492). Os 24 eleitos somaram 789 mil votos, 57% dos válidos.
Jamilson Name (PP), 12.º mais votado com 35.211 votos, não foi eleito: seus votos estão sob exame no TSE. Luiza Ribeiro (PT, 25.472), Oswaldo Mochi (MDB, 23.721) e Marcelo Miranda (PP, 23.112) ficaram fora, enquanto Renato Câmara, Lídio Lopes, Paulo Duarte e Pedrossian Neto entraram com menos de 21 mil votos. É o quociente partidário e a distribuição das sobras decidindo as últimas cadeiras.
De 2006 a 2014 o PMDB foi o partido mais votado na maior parte do interior e a maior bancada da Assembleia (sete eleitos em 2006, seis em 2010 e 2014).
Em 2018 e 2022 o PSDB liderou em 52 municípios nas duas eleições, com MDB, DEM e PP dividindo o resto. A bancada tucana chegou a sete em 2022.
PL em 42 municípios, PP em 18, PSDB em 13 e MDB em 3. Diferente da Câmara, a Assembleia manteve três cores no mapa: os prefeitos e ex-prefeitos do PP e do PSDB seguraram seus redutos.

O HHI médio caiu de 0,158 em 2006 para 0,105 em 2018 e oscila desde então: 0,107 em 2022 e 0,114 em 2026. A força média do 1.º colocado foi de 30% para 24% no mesmo período.
Pedro Caravina teve 76% dos votos nominais de Bataguassu; Odilon Ribeiro, 59% em Aquidauana; Ângelo Guerreiro, 48% em Três Lagoas; Hélio Peluffo, 48% em Ponta Porã. Em Chapadão do Sul, Ernany Machado teve 49% e não se elegeu.
Em Campo Grande o mais votado, André Puccinelli, ficou com 6,0% dos votos nominais, e o HHI foi de 0,024, o menor do Estado. A Capital elege metade da Assembleia sem que nenhum candidato a domine.

A bancada do PL em 2026 (nove cadeiras) é a maior de um partido na Assembleia desde o PMDB de 2006 (sete). O PT oscilou entre dois e quatro eleitos em todas as eleições; o PSDB foi de dois (2006) a sete (2022) e voltou a três.

Os painéis separam dois tipos de deputado: os de reduto (Guerreiro em Três Lagoas, Peluffo em Ponta Porã, Caravina em Bataguassu, Paulo Duarte em Corumbá, Odilon Ribeiro em Aquidauana e Anastácio) e os da Capital, cuja votação se concentra em Campo Grande (Puccinelli, Coronel David, Salineiro, Rinaldo Modesto, Lucas de Lima). Para a geografia da representação, ver a página Elites ALEMS.

Reinaldo Azambuja (903.554 votos) e Capitão Contar (856.045) ficaram com as duas vagas. Vander Loubet (PT, 361.920) e Soraya Thronicke (PSB, 340.788) somados não alcançam nenhum dos dois.
Em 2002, 2010 e 2018, as outras eleições com duas vagas, as cadeiras foram sempre divididas entre partidos (PMDB e PT; PT e PMDB; PTB e PSL). 2026 é a primeira vez que o mesmo partido leva as duas.
Com duas vagas, cada eleitor tinha dois votos. Por isso a força média do 1.º colocado por município cai para 37%, contra 68% de Tereza Cristina em 2022, quando havia uma vaga só. Os mapas do Senado devem ser lidos sabendo quantas vagas havia: uma em 2006, 2014 e 2022; duas em 2002, 2010, 2018 e 2026.
O voto majoritário segue a conjuntura: PMDB em 2002 e 2014 (Ramez e Simone Tebet), PSDB em 2006 (Marisa Serrano), PT em 2010 (Delcídio do Amaral), cada um pintando quase todo o Estado.
Único ano em que o mapa se parte: Nelsinho Trad (PTB) foi o mais votado em 33 municípios, Moka (MDB) em 17, Zeca do PT em 14 e Marcelo Miglioli (PSDB) em 12. Soraya Thronicke (PSL) liderou em apenas dois e mesmo assim ficou com a segunda vaga, pela soma dos votos da Capital.
Tereza Cristina (PP) em 2022 e a chapa Azambuja–Contar (PL) em 2026 foram as mais votadas nos 79 municípios. Em 2026, Azambuja foi o 1.º colocado em 66 municípios e Contar em 13, entre eles Campo Grande, onde teve 32,8% dos votos nominais.

Os picos (2006, 2014, 2022) são as eleições de vaga única, em que o vencedor concentra mais da metade dos votos nominais; os vales (2002, 2010, 2018, 2026) são as de duas vagas. Comparando só anos de duas vagas, 2026 (HHI 0,28) está no nível de 2002 e 2010 e bem acima de 2018 (0,19).
Azambuja teve 42,9% dos votos nominais em Aral Moreira e 42,6% em Paraíso das Águas; Contar, 42,0% em Chapadão do Sul. A menor força do 1.º colocado foi em Sidrolândia (31,4%).


Votos nominais por município no 1.º turno de 2026. Emendas: para deputados federais, valor empenhado de emendas individuais executadas de 2023 a 2026, apenas as com município identificado; para deputados estaduais, valor indicado nas solicitações de emendas de 2023 a 2026, com o empenhado quando disponível. Cobertura parcial. Parlamentares sem mandato em 2023–2026 não têm emendas registradas.

A média dos escores dos partidos mais votados nos municípios ficou entre 4,4 e 5,3 de 2002 a 2014, oscilando em torno do centro. Saltou para 6,5 em 2018, ficou em 6,5 em 2022 e chegou a 8,0 em 2026, praticamente o valor do PL na escala.
Os escores de cada partido são fixos. O que muda é qual partido lidera em cada município: a saída do PMDB e do PT e a entrada do PSDB (2018–2022) e depois do PL e do Republicanos (2026).
A escala vem de levantamentos com parlamentares federais e posiciona siglas, não candidatos. Um município que vota em um deputado específico do PL pode estar votando na pessoa, não na ideologia; o mapa mede o rótulo partidário.

Quanto mais escuro, mais o município trocou de partido líder ao longo das sete eleições. Não há reduto partidário fixo em Mato Grosso do Sul: nenhum município teve o mesmo partido mais votado em todas as eleições, e só Tacuru teve apenas dois.
Em 56 dos 79 municípios, quatro ou mais partidos diferentes já foram o mais votado; 22 tiveram três. São Gabriel do Oeste, Sidrolândia e Sonora tiveram seis líderes distintos em sete eleições. A fidelidade é a candidatos, não a siglas.

O PMDB foi o partido mais votado para vereador em 2000 (17%), 2004 (24%, com seis eleitos), 2008 (16%) e 2012 (17%). A partir de 2016 caiu para 6% a 8% e deixou de eleger mais de dois vereadores.
Depois de 2012 nenhum partido passou de 16% dos votos nominais: PSDB em 2016 (15%, sete eleitos), PSD em 2020 (14%, seis eleitos), PP e PSDB em 2024 (13% cada). União Brasil, Avante e PL vieram logo atrás em 2024, com 8% a 9%.
Campo Grande concentra 32% do eleitorado do Estado e é o único município onde a disputa proporcional envolve centenas de candidatos. A fragmentação aqui é a mesma que aparece na votação para deputado estadual na Capital. As demais câmaras municipais ficam para uma próxima versão.